ANTONIO CARLOS
O Projeto Rondon foi criado por iniciativa do Professor Wilson Choeri, da antiga Universidade do Estado da Guanabara, hoje UERJ e foi ele o idealizador dos princípios do movimento, denominado Projeto Rondon®.
Em 11 de julho de 1967, 30 universitários da UEG, UFF, PUC/RJ e o professor Omir Fontoura, seguiram para Rondônia, dando início ao Projeto RONDON ZERO. O nome é uma homenagem ao bandeirante do século XX, Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Os universitários lançaram a idéia de INTEGRAR PARA NÃO ENTREGAR que se transformou no lema do Projeto e a consolidação das Operações ocorreu, nacionalmente, até 1970.
O protejo da época era mais voltado para a área de saúde, medicina e odontologia. Hoje, embora desvinculado do Governo Federal, o projeto integrado por estudantes e professores operara em ações de saúde, educação, gestão de projetos e meio ambiente.
Pois bem, Araguacema não ficou fora desses projetos na década de 60, donde foi contemplada por visitas de integrantes do Projeto Rondon. Eram caravanas de estudantes que lá compareciam, principalmente no mês de julho, época das férias universitárias.
Nas suas andanças por lá visitavam a aldeia dos Carajás que ficava na praia da Gaivota, frente da cidade, sem nenhum turista, onde verificavam o estado de saúde dos índios, mas dificilmente conseguiam inspecionar os seus dentes, mas no final, servia para várias anotações sobre a vida dos indígenas.
Numa dessas passagens do Projeto Rondon por lá, eu com uma turma de moleques da minha idade atravessamos o rio ou o braço do rio como chamamos, a nado – só uns 500 metros a gente traçava no braço mesmo. Era uma alegria só, tanta gente bonita, tudo de uniforme e bonés do projeto, aquilo era uma festa para a cidade. Nesse dia de visita à aldeia, formou-se uma grande caravana da cidade - autoridades, que acompanhavam os professores e estudantes e chegando à praia se iniciou uma apresentação formal, pelo senhor prefeito, que não me lembro quem era. Mas parece que era o Edson Maranhão Duarte o Mano.
Após as apresentações formais, o cacique passou a visitar cabana por cabana acompanhado da caravana e lá falava mais ou menos assim: esse é fulano, esse é muié seu, esse é fio seu, se referindo à esposa ou à filha, pois o índio carajá fala tudo no masculino. E assim continuou as andanças pela aldeia que era disposta em linha quase horizontal ao rio.
Chegando a determinada cabana, que estava fechada, o cacique passou direto e não fez nenhuma referência aos moradores. Uma estudante o segurou pelo braço e fez a seguinte pergunta: por que não apresenta os moradores dessa oca seu índio, ou não tem moradores aí? Respondeu ele na ingenuidade e pureza aborígine: tem sim, casaru onti, é fio meu custumando com pico. Silêncio total da caravana!!!
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