ZE DA CODESPAR
Era novembro de 1965 quando eu cheguei de São Paulo para gerenciar a Codespar – Cia. de Desenvolvimento do Sul do Pará, um projeto agropecuário financiado pela Sudam, com o propósito de desenvolver a economia do norte do Brasil.
Entre os compromissos de realizações assumidos pela Codespar, o mais urgente era a construção de uma rodovia, ligando a Belém – Brasília, em Paraíso do Norte, à sede do projeto, no seio da floresta paraense.
As obras dessa rodovia já estavam em curso e, nessa altura, as máquinas estavam trabalhando próximo à localidade onde uma estrada precária, já existente, derivava para a direita, rumo a Araguacema, passando por uma corrutela chamada Abreulândia. Daquele ponto, que passou a ser chamado de Forquilha (hoje Divinópolis), a rodovia em construção prosseguia, rumo ao Araguaia, enquanto outra turma construía pontes e, dentre elas, a do Rio Piedade com uma extensão maio.
Quando a estrada ultrapassou a divisa de municípios, entre Miracema e Araguacema, o prefeito da primeira, Mariano Cavalcante, não perdeu a oportunidade de deixar seu nome ali e loteou uma grande área na margem da rodovia, à qual deu o nome de Marianópolis e que rapidamente virou cidade.
Na margem desse pseudo lago, que nada mais é que um braço do Araguaia alimentado pelas águas do Rio do Côco, morava um mariscador solitário chamado Casé, de cujo rancho ainda permaneciam erguidos os esteios a contemplar o belo rio e que já havia falecido, há tempos, vitimado pelos efeitos da bebida.
Em meados de julho de 1966, não me lembro o dia, o trator de esteiras construiu uma rampa no barranco do lago, para acesso à balsa metálica de 40 toneladas, que já estava ali, e, ao lado da rampa, ergueu-se um grande barracão, para servir de entreposto.
A partir desse ponto, de ambos os lados da estrada, foram surgindo outros barracos de moradia de empregados da empresa, de botecos, cantinas, como a do Gaucho e outros aventureiros.
Quando já se contavam uns trinta barracos e o movimento ali já indicava uma rápida expansão, o barqueiro da Codespar, chamado Haroldo Luz, veio a mim e ponderou que o lugarejo já merecia ganhar um nome com o qual a direção da empresa concordasse.
Ele sugeriu alguns nomes, dentre os quais Goiara, e eu, não concordando com nenhum deles, sugeri um nome que sintetizasse tanto a memória de seu único morador como a beleza natural do rio: Casé e Ara(guaia). Ele, na hora, vibrou com o nome.
Ali mesmo escrevi CASEARA em uma tábua bem grande e ele a fixou em um poste, ao lado do barracão da empresa, e saiu pelos barracos a anunciar o novo nome da cidade que, até então, era chamada de Lago do Casé.
A escolha agradou a todos, mas, hoje, eu devo confessar que, naquele dia, não compartilhava do entusiasmo do Haroldo, nem via probabilidade de crescimento daquele arruamento, porque, para mim, aquilo era apenas um entreposto provisório da empresa, fadado a se extinguir, depois de consolidado o projeto.
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