segunda-feira, 24 de outubro de 2011

PRA QUÊ?


Vag-Lúcia Borges

No seu lugar simples, lá no sertao
A sua roça, seu reinado cor de prata.
Ouro nao tinha.
Tudo simples, transparente como o seu ser.
Dona da sua criaçao, do capinzal
Plantacao de milho, alimento para os seus bichos.
Mulher do campo, sem muitas juras, prosas
Vivia de luas, contava estrelas
Apreciava o nascer do sol
Dormia como anjo e protegia-se da dor
De esperar, sem ter pra quê!
Acordava sem saber onde estava
Desatordoada, levantava-seIa até ao fogao e acendia as lenhas
Na chaleira a água pra coar o café.
Olhando as suas crias,  pensava como tudo muda...
Subia no curralEsperava a lua ir e o sol nascer
Ali sentada
Queria tocar nas suas lembranças
Transportá-las para o presente
Nao, nao podia!
Eram somente lembranças...
As mesmas nao se concretizariam no “agora”
No agora, tudo é  diferente
Além do mais, pra quê?


Wozu?

Vag-Lúcia Borges

Einfach, ihr Ort, dort in der Steppe
Ihr Feld, ihr silbern schimmerndes
Reich Kein Gold.                         
Alles einfach, übersichtlich wie ihr
Dasein Herrin ihrer
Schöpfungen: der Wiese,                                   
Der Maispflanzung,
Nahrung für  ihre
Tiere Frau vom Lande, ohne viel Worte, ohne Geschwätz                    
Sie lebte mit dem wechselnden Mond,  zählte Sterne                                                 
Genoss  die Geburt der Sonne                                                  
Schlief wie ein Engel und hütete
sich vor dem Schmerz,                                                                                    
Zu hoffen ohne ein Worauf!
Sie wachte auf, ohne zu wissen, wo sie war
Verwirrt erhob sie sich                          
Ging zum Herd und 
zündete das Holz an                                              
Im  Kessel das
Wasser für den Kaffee   
Sie sah ihre Geschöpfe, dachte, wie alles sich ändert 
Ging hinab zum Stall                          
Wartete auf das Verschwinden des Mondes und den Aufgang der Sonne
Dort saß sie                                                                      
Wollte ihre Erinnerungen berühren
Und in die Gegenwart ziehen           
Nein, sie schaffte es nicht!                                                             
Es waren nur Erinnerungen.....                            
Dergleichen wurde nicht wirklich im "Jetzt"
Im JETZT ist alles anders
Ohne zu fragen, Wozu?


PATÚ

Vag-Lúcia Borges

Quando soube que tu vinhas
Qual nao foi a minha surpresa
Nao me contive
Nao acreditei.
Meu coracao acelerou
Meu corpo estremeceu
Levantei-me pra respirar
Nao podia ser em mim
Uma revolucao de reacoes físicas foram causadas pela ânsia da tua presenca
Eu me senti, sentindo o que já havia esquecido
Nao me lembrava mais
Corri feito louca, abri a porteira
E me debandei pelos pastos
Pés descalços, descabelada, suada, saí cortando o matoLevando surra de cipó
Corpo riscado, arranhado de dor...
Depois acalmei-me.
Sentei-me e passado muito tempo joguei-me nas águas frias do córrego
Ali refresquei os meus pensamentos
Ali pus “modos” na minha euforia
Busquei acalanto na natureza toleranteEntreguei-me.
Desisti de segurar a minha alegria de querer te rever
E banhei desnuda a minha saudade ...

Vag-Lúcia Borges
 
O nome PATÙ= Prá ti -  é em homenagem ao meu sobrinho Pedro Estevan – que quando tinha três anos de idade e com uma nota de 1R$ na mao, convidou-me : “Tia, vamo tomá sovete, eu pago pá tu”!

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