sábado, 19 de novembro de 2016




OS GÁLATAS SOMOS NÓS.
Esta carta foi escrita pelo apóstolo Paulo aos cristãos das igrejas da Galácia, entre as quais, as mais conhecidas eram as de Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe, que foram todas criadas por ele. Esse apóstolo nasceu de pais judeus na importante cidade de Tarso, capital da província romana da Cilícia e, em razão disso, era cidadão romano, condição essa que lhe garantia muitos privilégios.
Ao se mudar para Jerusalém, tornou-se membro destacado do Sinédrio judeu, que era equivalente a um Tribunal composto por sacerdotes e escribas. Era um praticante fervoroso da fé judaica, como membro dedicado do farisaísmo e foi nessa condição que pediu e obteve autorização do Sumo Sacerdote para perseguir e prender cristãos escondidos em toda a Ásia Menor. Em uma dessas investidas, quando se aproximava de Damasco, foi violentamente derrubado do cavalo por uma luz que o deixou cego, seguida de uma voz poderosa a lhe perguntar: “Saulo, Saulo! Por que me persegues”? Ele pergunta: “Quem é tu, senhor”? “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”, respondeu-lhe a voz.
Seu nome judaico era Saul, mas se tornou Saulo, no linguajar romano. Porém, depois dessa poderosa experiência, que o deixou completamente cego e, após curado, com sequelas, ele mesmo mudou seu nome para Paulus, cujo significado, em latim, é pequeno. Sua conversão foi tão verdadeira que o fez abandonar fama, prestígio e o conforto que sua posição social lhe dava, como cidadão romano, para se dedicar à pregação da nova doutrina, arriscando a própria vida e suportando sofrimentos e privações por amor a esses povos dominados pelas crenças pagãs.
Quando os Romanos decidiram sufocar a revolta judaica contra seu domínio, no ano 70 d.C., os judeus foram obrigados a fugir e se dispersaram por todas as regiões da Ásia e esse movimento ficou conhecido como a segunda diáspora judaica. Muitos deles abraçaram o cristianismo sem, contudo, abdicar da lei mosaica, com suas crenças e ritos incompatíveis com as doutrinas e costumes cristãos. Como se não bastasse isso, procuravam infundir nos gálatas recém convertidos a obrigatoriedade de observar os mandamentos da lei, além das doutrinas cristãs, provocando, com isso, a reação de desagrado de Paulo.
Esses judeus, chamados de cristãos judaizantes, estavam presentes em quase todas igrejas que Paulo fundava e ensinavam suas doutrinas e costumes, nas ausências do apóstolo que, por sinal, eram longas. Devido à precariedade dos meios de transportes, das comunicações e das grandes distâncias, as cartas eram o único meio de correspondência e Paulo fez uso delas, algumas das quais, como esta ao gálatas, foram preservadas.
Tal como hoje, era muito difícil combater os judaizantes que mostravam aos novos cristãos, no Velho Testamento, a obrigatoriedade de se circuncidar, de cumprir todas as leis deixadas por Moisés. Quando Paulo passava de volta em cada igreja encontrava um clima de confusão entre os que ele havia evangelizado segundo os mandamentos de Cristo e uma confrontação velada por parte dos que não admitiam abandonar as ordenanças judaicas.
Os ensinamentos de Paulo era o de que nada mais era necessário cumprir, além da fé em Jesus, para se conquistar a salvação. Segundo Paulo, todas as boas obras que o cristão pratica deve ser decorrência dessa fé e não produzem nenhum merecimento perante Deus. A salvação é um gesto do amor de Jesus e, sendo assim, é de graça e nenhuma boa obra pode compra-la.
Isso não entrava na cabeça da maioria dos judeus que se convertiam ao cristianismo. Não era possível que fosse tão simples o caminho de acesso a Deus. Não conseguiam entender que amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo são os dois únicos mandamentos que restaram, dos dez, e neles estão incluídos os outros oito. Quem ama a Deus, ama seus filhos, que são nosso próximo, e, por isso, não mata, não rouba, não trai etc.
Este novo mandamento para amar o próximo e perdoar a quem nos ofende, deixado por Jesus e pregado por Paulo, era algo estranho e inaceitável aos judeus, que aprenderam de seus antepassados a se vingarem de seus inimigos. Eles seguiam a lei de Talião: olho por olho, dente por dente. Ama-los? Nem pensar. Essa era a grande batalha espiritual que Paulo enfrentava, porque, além de não aceitarem o cristianismo sem o cumprimento da lei, ainda contestavam os ensinos de Paulo aos gentios, em sua ausência.
As notícias que lhe chegavam da Galácia davam a dimensão dos estragos que os judaizantes estavam fazendo em sua obra de evangelização entre os gentios e, não lhe sendo possível ir lá, era urgente sua manifestação de desagrado e reafirmação do que ele havia ensinado, por meio de uma carta da qual, uma grande parte, ele utiliza para defender a autenticidade do evangelho que ele pregava.
Era de suma importância que os novos convertidos tivessem certeza da veracidade dos ensinos de Paulo e, por isso, sua insistência em reafirmar que o que ele pregava não aprendeu de homem nenhum, nem mesmo dos apóstolos, mas diretamente do Filho de Deus, ao contrário de outras doutrinas criadas por homens. Era tão grande a convicção que Paulo tinha, sobre o que pregava, que não hesitou em repreender publicamente o apóstolo Pedro, quando ele se portou dissimuladamente perante os judaizantes, para que não percebessem que, como cristão, não mais cumpria os costumes e mandamentos da lei.
Paulo conta na carta que, quando Pedro veio à Antioquia visita-lo, se misturou aos gentios novos convertidos, sem nenhuma restrição de costumes e alimentos, como carne de porco, por exemplo, até que chegaram alguns judeus de Jerusalém e ele passou a se portar como judeu, separando-se dos novos cristãos e não mais comendo com eles. E o gesto de Pedro, dada sua importância, influenciou Barnabé, o companheiro de Paulo, a fazer o mesmo. Não suportando a hipocrisia do apóstolo, Paulo o repreendeu duramente diante de todos.
O que Paulo percebia era que os judeus estavam querendo agradar a Deus pela aparência que a lei produzia, visível aos homens em forma de boas obras, ao passo que a nova doutrina deixada por Jesus subvertia essa ideia, ao estabelecer que a retribuição de Deus pelo amor que o homem lhe dedica é Seu próprio amor que se chama graça imerecida.
De lá para cá tem sido incontáveis as tentativas de “melhorar” o evangelho que Jesus deixou e, em razão disso, as denominações cristãs tem se multiplicado tanto, ao ponto de já faltarem adjetivos para identifica-las. São católicas, protestantes, evangélicas, carismáticas, históricas, pentecostais, neopentecostais, judaizantes, messiânicas etc.   
Tal como acontece com os católicos, adventistas e testemunhas de Jeová, os judeus cristãos não queriam se libertar das tradições herdadas dos seus antepassados, através do Velho Testamento, e tentavam convencer os gentios convertidos de que suas crenças e costumes eram indispensáveis, como complemento à fé cristã. Esse apego às tradições, que hoje bem caracteriza os católicos, com suas crenças e crendices estranhas ao cristianismo, era o motivo da luta de Paulo contra os judaizantes para evitar que seu esforço de evangelização dos gentios pagãos fosse perdido.
Os próprios apóstolos foram vítimas dessa força poderosa da tradição, como acabamos de ver no comportamento de Pedro, ao se apartar da “imundície” dos gentios, bem como as atitudes de Tiago, João e Pedro que restringiram suas pregações aos judeus de Jerusalém, contrariando, inconscientemente, a orientação de Jesus a eles, que dizia: “ide por todo o mundo e pregai este evangelho a todas as criaturas”. O sentimento judaico de que uma raça pura, como eles, não poderia se misturar com gentios impuros, ainda era persistente em suas mentes de modo a influir em seus relacionamentos, apesar da nova orientação cristã.
Esse comodismo dos apóstolos, conveniente à tradição desse puritanismo religioso, foi sacudido por Deus, por meio da violenta intervenção romana na Judeia, de tal forma que os fez levar a sério a ordem de Jesus, até então negligenciada. Expulsos de sua pátria, e duramente perseguidos, espalharam-se pelo mundo e, por onde passavam, iam deixando a marca da nova fé nas igrejas que fundavam nas Terras dos “impuros” que os acolhiam com amor.
Finalmente o contato com outros povos os fez entender o significado do amor aos não judeus pregado por Jesus e, mais do que isso, os apóstolos passaram a pensar como Paulo e entenderam que o Velho Testamento era apenas uma figura do evangelho que viria e de fato chegou, por meio de Jesus, a todos os povos e não somente para eles, como pensavam que seria.
Mas, pelo que Paulo diz na carta, os cristãos judaizantes continuavam presos às leis e tradições e exigiam que o cristão, além de batizado, fosse também circuncidado e que o sábado e as datas festivas judaicas fossem guardados, bem como a abstinência de certos alimentos fosse observada pelos cristãos, do mesmo modo que os judeus.
Até parece que Paulo está escrevendo hoje, porque essas observâncias fazem parte dos mandamentos dos adventistas e das testemunhas de Jeová, como a guarda do sábado e abstinência de carne de porco, além dos muçulmanos que guardam a sexta e não comem carne suína. Já os católicos celebram a mesma festa judaica de Pentecostes, além de usarem as mesmas vestimentas sacerdotais e altares em suas celebrações. A única diferença aqui é que nos altares judeus não havia imagens e estátuas de divindades, até porque eles só tinham uma, que era Jeová.
Em outra carta, aos cristãos colossenses, 2:16-17, Paulo escreve: “Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo”. Esta passagem é muito clara em afirmar que ninguém é obrigado a guardar um dia predeterminado pela religião, mas sim um dia que você o escolher para dedica-lo a Deus.
Assim é com o muçulmano que guarda a sexta, o judeu e judaizantes que observam o sábado, o cristão católico, protestante e evangélico que elegeram o domingo ou um vigilante que oferece a Deus o seu dia de folga, na quinta, por exemplo. Paulo não diz textualmente isso, mas é logico que está implícita aqui a liberdade que temos em Cristo de escolhermos, semanalmente, o dia de nosso louvor e gratidão a Ele e de comermos de tudo que Deus criou, sem nenhuma restrição. O argumento usado para defender a guarda do sábado é o de que Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou. Isso é verdade, mas a Bíblia não nos informa em que dia da semana Deus começou a trabalhar, para sabermos em que dia Ele descansou.
Com a chegada cada dia mais intensa de judeus às cidades da Ásia, as divergências doutrinárias no seio das igrejas cristãs iam se tornando mais intensas, ao ponto de Paulo propor o primeiro concilio em Jerusalém para a unificação do pensamento cristão, a fim de que as doutrinas fossem pregadas por todos os apóstolos e presbíteros em comum acordo com o que Jesus havia deixado.
A proposta de Paulo deu excelente resultado, pelo que se observa da decisão tomada pelo Concílio de Jerusalém:
“Soubemos que alguns saíram de nosso meio, sem nossa autorização, e os perturbaram, transtornando a mente de vocês com o que disseram. Assim, concordamos todos em escolher alguns homens e enviá-los a vocês com nossos amados irmãos Paulo e Barnabé, homens que têm arriscado a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, estamos enviando Judas e Silas para confirmarem verbalmente o que estamos escrevendo. Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês nada além das seguintes exigências necessárias: Que se abstenham de comida sacrificada aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da imoralidade sexual. Vocês farão bem em evitar essas coisas. Que tudo lhes vá bem”. Atos 15:24-29.
Então, doravante, todos os pregadores teriam que padronizar suas pregações com base nos elementos que vieram substituir a lei cerimonial, que são: a Fé, a Graça e o Espírito. O resumo disso é: creia no Senhor Jesus e serás salvo. Somente isso e nada mais. Nada de jejuns, boas obras, penitências, circuncisão, dízimos, dias santos etc. Boas obras, em socorro de quem precisa, por amor a Jesus, e o batismo, significando que você confessa publicamente que não se envergonha Dele, são decorrência de sua fé Nele. Deixar de beber, de fumar, de se drogar é muito bom para a saúde. Mas não são essas atitudes, desacompanhadas de amor a Deus, na figura do próximo, que agradarão a Ele.
Os gálatas estavam aprendendo com os judeus a lei da reciprocidade, pela qual teriam que realizar uma boa obra para que Deus os retribuísse. Então Paulo torna a lembra-lhes a fé de Abraão como um modelo de fé agradável a Deus, pela sua confiança inquestionável Nele, mesmo tendo falhado, em dado momento de sua vida, quando deu ouvidos a sua esposa, Sara, levando-o a desacreditar na promessa de nascimento de um filho, apesar da esterilidade de sua mulher. Esse filho simbolizava a graça, cujo recebimento não dependia da participação de Abraão. De fato, seu filho com Sara nasceu vinte e cinco anos depois dele ter se relacionado com uma escrava, por sugestão da esposa, quando já estava impotente, sexualmente.
Deus quis provar a Abraão e Sara que ele era fiel em suas promessas, mesmo que, para cumpri-las, ele demore uma vida e tenha que contrariar as leis naturais, pois, neste caso, o casal não tinha mais a mínima possibilidade física de gerar um filho. Da relação com a escrava nasceu Ismael, que simboliza a lei do homem, pela qual a humanidade se rege e a ela fica presa.
Paulo está dizendo aos gálatas que a nossa salvação é semelhante ao que se deu com Abraão que, mesmo ele tendo vacilando por um momento em sua fé, a promessa que Deus lhe tinha feito não foi anulada, apesar de seu ato ter gerado consequências indesejáveis aqui na Terra. De Ismael, o filho nascido de uma tentativa de ajudar a Deus, descendem os impetuosos árabes com seus conflitos e de onde surgiu o controverso islamismo que rejeita a fé em Jesus e defende a salvação por merecimento próprio, por meio de obras, conforme sua lei estabelece.
Mas esse voluntarismo que caracterizava o modo precipitado de agir dos hebreus era a marca de um povo que, embora confiasse cegamente em seu Deus, muitas vezes se antecipava a Ele na tentativa de se fazerem cumprir suas promessas. E Deus quase sempre relevava essas traquinagens porque sabia que estava lidando com um povo ainda criança, cuja plenitude da razão só viria com o entendimento de seu supremo propósito a ser revelado por seu Filho que haveria de vir a eles. E esse supremo propósito era o de que esse povo preso à disciplina da lei, e representando todos os povos, fosse liberto desse jugo pelo Filho, a fim de que se tornassem seus irmãos apenas pela fé Nele, porque, até então, todos eram somente criaturas de Deus.
É por este entendimento que Paulo questiona os gálatas, perguntando a eles: “Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir”?
Ele está se referindo às ordenanças e mandamentos de seitas e religiões que eram e são requeridos de quem a elas se socorre, em contradição com o que Jesus oferece de graça. De graça mesmo. Apenas pela fé Nele e somente Nele. Mas essa fé não é tão simples de ser praticada, porque ela é verdadeira quando exercida em favor de quem você detesta, na forma de perdão. Talvez você nunca tenha reparado que perdão significa uma grande perda. Não é perdinha. É uma perdona do que de melhor a gente tem: amor próprio. Em favor de alguém. E não é qualquer alguém. É um inimigo.
Para quem tem posses, muito dinheiro, seria melhor que esse amor se traduzisse pela ajuda aos pobres. Mas, no caso do cristão, a ajuda aos pobres é uma decorrência de seu amor a Jesus. É um entendimento inverso ao de quem faz boas obras para garantir um lugarzinho no céu. Afinal, dizem os espíritas, fora da caridade não há salvação. Mas nós, cristãos, dizemos: fora de Jesus não há salvação.
Observando a caminhada de Abraão com seu Deus, podemos notar que nenhuma promessa feita ao patriarca foi condicionada a qualquer obra ou pagamento. Disso se conclui que a relação de Deus com o homem sempre foi de amor, não envolvendo nenhuma oferta de sacrifício ou promessa de penitência, dessas exigidas de sofridos penitentes pelas religiões e seitas. Deus não deixa de cumprir suas promessas só porque você se portou mal para com Ele; até mentiu, algumas vezes; e é por isso que Ele é conhecido como Deus fiel. Ele sabe o quanto somos fracos e falhos, mas conhece muito bem a grandeza de nossos corações. Por isso é que as leis que disciplinavam as ações no Venho Testamento são transitórias, até que viesse o tempo da graça, em Jesus, enquanto que as promessas são eternas e imutáveis.
Tudo isso, até aqui e muito mais, estava sendo escrito aos insensatos gálatas, com os quais nós hoje nos assemelhamos, com tantas crenças, crendices e doutrinas contrárias ao evangelho de Cristo que Paulo procurava reavivar neles e, por tabela, em nós, para que nos libertemos desse desejo maquiavélico de se submeter à escravidão e ao medo, ao invés de nos guiarmos pela lei do amor.
O dilema dos gálatas estava sendo escolher entre permanecer firmes nos rudimentos que Paulo lhes ensinara, segundo os quais o cristão é justificado unicamente pela fé em Jesus, ou aceitar o novo ensino dos judaizantes, pelo qual a crença em Jesus é importante, mas a observância da lei mosaica era ainda indispensável para que o crente fosse justificado por Deus.
Esses fariseus convertidos ao cristianismo eram semelhantes aos cristãos de hoje, que não creem que apenas a fé em Jesus seja suficiente para justifica-los e acrescentam a seus cultos e liturgias: jejuns, penitências, promessas, peregrinações, abstinência de alimentos e sexo, rezas e ladainhas repetitivas e outros intercessores, como se um pai ou uma mãe exigissem tanto para serem encontrados por seus filhos, quanto mais Deus. Esse era o motivo das duras palavras de Paulo nesta carta aos gálatas.
E hoje ele teria que escrever ao mundo cristão outras cartas mais duras ainda, porque muitos se livraram do jugo da lei mosaica, mas, ao invés de se submeterem aos mandamentos de Jesus, criaram suas próprias leis, cujos efeitos são a proliferação de denominações que confundem os de boa-fé, como os gálatas, e se aproveitam do sofrimento e das dificuldades dos desesperados e incautos.
O Novo Testamento é o tratado estabelecido por Jesus, significando uma nova aliança, onde estão contidas orientações aos seguidores de Cristo, em substituição aos mandamentos e leis do Velho Testamento. São apenas orientações pelas quais o crente saberá muito bem discernir o que ele pode ou não praticar, sem imposição de líderes religiosos, porque o próprio Paulo é quem diz: “Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada me domine. (1 Cor 6:12). É o reinado do Espírito, onde os crentes são dirigidos pelo entendimento que Ele dá e não por lei ou mandamentos. Ninguém, a não ser a própria pessoa, em seu íntimo, deve questionar o comportamento de alguém, porque quem anda sob a direção do Espírito sabe quando está pecando.
O universo cristão, em geral, vive uma realidade contraditória porque prega um evangelho cujas doutrinas se baseiam na providência do Espirito, mas professa uma fé fundada em obras da lei, ao admitir que Deus condiciona suas bênçãos, e até a salvação, ao cumprimento de certas exigências e comportamentos, além da fé em Jesus, e isso era exatamente o que Paulo combatia em suas cartas.
Brasília 19 de novembro de 2016

José Modesto 

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