sábado, 19 de novembro de 2016



A FE EM OPOSIÇÃO AOS MANDAMENTOS DA LEI
                A fé é um sentimento de confiança que se tem em alguém capaz de atender nossa expectativa, de tal maneira inabalável que nos faz crer que já recebemos a coisa desejada. E quando o depositário dessa fé é alguém invisível, seu valor é muito maior, perante esse ente, conforme diz o versículo 6 da Carta aos Hebreus: “Sem fé ninguém pode agradar a Deus, porque quem vai a ele precisa crer que ele existe e que recompensa os que procuram conhecê-lo melhor”.
                A demonstração de fé de Abraão é o mais impressionante exemplo de confiança em alguém invisível. Vale a pena o relato, para os que o desconhecem, mas também aos que conhecem:
                Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: “Abraão! ”  Ele respondeu: “Eis-me aqui”. Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”. Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque, seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado.
No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe. Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos”. Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca. E caminhando os dois juntos, Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai! ” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto? ” Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”.
E os dois continuaram a caminhar juntos. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha. Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho. Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão! ” “Eis-me aqui”, respondeu ele. “Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho. ” Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá pegá-lo, e o sacrificou como holocausto em lugar de seu filho”. (Gênesis 22:1-13).
O gesto de Abraão é a suprema demonstração de fé de alguém para com seu Deus, mas é também uma simbologia do incomparável amor de Deus para com a humanidade, ao entregar seu único Filho em sacrifício. E foi por esse amor que o apóstolo Paulo se encheu de paixão, a ponto de expor sua própria vida, em várias ocasiões, pelos gentios sedentos de Deus.   
                Tendo sido informado de que as igrejas fundadas por ele, na Galácia, estavam aderindo a um evangelho diferente do de Cristo, o apóstolo Paulo relembra aos gálatas a sua trajetória de perseguidor da igreja cristã, antes de se converter. Ele reforça sua autoridade para pregar o verdadeiro evangelho de Jesus, relembrando que não foi autorizado por nenhum apóstolo e sim pelo próprio Cristo. Vale a pena transcrever seu apelo lamentoso àqueles que ele tinha como filhos na fé e que estavam sendo desviados por falsos pregadores travestidos de cristãos.
                “Vocês ouviram falar de como eu costumava agir quando praticava a religião dos judeus. Sabem como eu perseguia sem dó nem piedade a Igreja de Deus (o cristianismo) e fazia tudo para destruí-la. Quando praticava essa religião (o judaísmo), eu estava mais adiantado do que a maioria dos meus patrícios da minha idade e seguia com mais zelo do que eles as tradições dos meus antepassados (o Velho Testamento). Porém Deus, na sua graça, me escolheu antes mesmo de eu nascer e me chamou para servi-lo. E, quando ele resolveu revelar para mim o seu Filho a fim de que eu anunciasse aos não-judeus a boa notícia a respeito dele, eu não fui pedir conselhos a ninguém. E também não fui até Jerusalém para falar com aqueles que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, fui para a região da Arábia e depois voltei para Damasco.
                Três anos depois, fui até Jerusalém para pedir informações a Pedro e fiquei duas semanas com ele. E não falei com nenhum outro apóstolo, a não ser com Tiago, irmão do Senhor (Jesus). O que estou escrevendo a vocês é verdade. Deus sabe que não estou mentindo. (Os parêntesis são meus).
 Depois fui para as regiões da Síria e da Cilícia. Durante esse tempo as pessoas das igrejas da Judéia não me conheciam pessoalmente. Elas somente tinham ouvido o que outros diziam: "Aquele que antes nos perseguia está anunciando agora a fé que no passado tentava destruir!" E louvavam a Deus por minha causa.
Catorze anos depois, eu voltei para Jerusalém com Barnabé e levei Tito comigo. Voltei para lá porque Deus me revelou que eu devia fazer isso. Ali, numa reunião particular com os líderes da igreja, eu expliquei a eles a mensagem do evangelho que anuncio aos não-judeus. Eu não queria que o trabalho que tinha feito e estava fazendo fosse um trabalho perdido.
Tito estava comigo, mas ele não foi obrigado a circuncidar-se, embora ele não seja judeu. Porém alguns tinham se juntado ao nosso grupo, fazendo de conta que eram irmãos na fé, e queriam circuncidá-lo. Eram homens que tinham entrado para o grupo como espiões a fim de espiar a liberdade que temos por estarmos unidos com Cristo Jesus e para nos tornar escravos de novo. Mas em nenhum momento nós cedemos, pois queríamos que vocês tivessem o verdadeiro evangelho. E aqueles que pareciam ser os líderes da igreja - digo isso porque para mim não importa o que eles eram, pois Deus não julga pela aparência - aqueles líderes, repito, não me deram nenhuma ideia nova.
Pelo contrário, eles viram que Deus me tinha dado a responsabilidade de anunciar o evangelho aos não-judeus, assim como tinha dado a Pedro a responsabilidade de anunciá-lo aos judeus. Pois pelo poder de Deus fui feito apóstolo para anunciar o evangelho aos não-judeus, assim como Pedro foi feito apóstolo para anunciar o evangelho aos judeus. Por isso Tiago, Pedro e João, que eram considerados os líderes da igreja, reconheceram que Deus me tinha dado essa tarefa especial. E, como sinal de que éramos todos companheiros, eles deram a mim e a Barnabé um aperto de mãos. E todos nós combinamos que eu e Barnabé iríamos trabalhar entre os não-judeus e eles, entre os judeus”.  (Gálatas 1:13-24 e 2:1-9).
É importante notar o que Paulo diz sobre Pedro, para se desfazer essa falsa crença de que Pedro foi o fundador e chefe da Igreja de Roma dos gentios: ...Pedro foi feito apóstolo para anunciar o evangelho aos judeus (da Judeia, obviamente), cujo chefe era Tiago e não ele. Se Pedro fosse o chefe da Igreja, não teria permitido que Paulo o repreendesse, conforme segue:
“Porém, quando Pedro veio para Antioquia da Síria, eu fiquei contra ele em público porque ele estava completamente errado. De fato, antes de chegarem ali alguns homens mandados por Tiago, Pedro tomava refeições com os irmãos não-judeus. Mas, depois que aqueles homens chegaram, ele não queria mais tomar refeições com os não-judeus porque tinha medo dos que eram a favor de circuncidar os não-judeus. E também os outros irmãos judeus começaram a agir como hipócritas, do mesmo modo que Pedro. E até Barnabé se deixou levar pela hipocrisia deles. Quando vi que eles não estavam agindo direito, de acordo com a verdade do evangelho, eu disse a Pedro na presença de todos: "Você é judeu, mas não está vivendo como judeu e sim como não-judeu. Então, como é que você quer obrigar os não-judeus a viverem como judeus?" (Gálatas 2:11-14)
Mas, voltando aos gálatas, eles, que tinham sido resgatados do paganismo por Paulo, estavam sendo envolvidos pela força da tradição religiosa dos judeus que chegavam à região, fugidos da perseguição romana. Abraçaram o cristianismo, mas não procuraram conhecer com profundidade os fundamentos de suas doutrinas e, por isso, ficaram vulneráveis ao assédio de outros falsos pregadores. Tal como ocorre em qualquer tempo com quem não se aprofunda em busca da verdade, se, na época, já existisse o islamismo, a este seguiriam, como sucedeu aos seus descendentes, tempos mais tarde.
Depois de enfrentar perigos, dificuldades e provações para levar o evangelho de Cristo aos gálatas, é justa a decepção do apóstolo Paulo expressada de modo veemente, a seguir:              “Ó gálatas sem juízo! Quem foi que enfeitiçou vocês? Na minha pregação a vocês eu fiz uma descrição perfeita da morte de Jesus Cristo na cruz; por assim dizer, vocês viram Jesus na cruz. Respondam somente isto: vocês receberam o Espírito de Deus por terem feito o que a lei manda ou por terem ouvido a mensagem do evangelho e terem crido nela? Como é que vocês podem ter tão pouco juízo? Vocês começaram a sua vida cristã pelo poder do Espírito de Deus e agora querem ir até o fim pelas suas próprias forças? Será que as coisas pelas quais vocês passaram não serviram para nada? Não é possível! Será que, quando Deus dá o seu Espírito e faz milagres entre vocês, é porque vocês fazem o que a lei manda? Não será que é porque vocês ouvem a mensagem e creem nela”?
                No passado vocês não conheciam a Deus e por isso eram escravos de deuses que, de fato, não são deuses. Mas, agora que vocês conhecem a Deus, ou melhor, agora que Deus os conhece, como é que vocês querem voltar para aqueles poderes espirituais fracos e sem valor? Por que querem se tornar escravos deles outra vez? Por que dão tanta importância a certos dias, meses, estações e anos? ” (Gálatas 3:1-5 e 4:8­-10).
A falta de conhecimento das verdades de Cristo pregadas pelos apóstolos impede as pessoas de saberem que a lei condena, sem complacência, todos aqueles que a transgridem e a fé os absolve, mediante o arrependimento.
Tal qual um pai desconsolado, ao ver seu filho descambar para o caminho errado, Paulo continua a lamentar o rumo doutrinário que os gálatas estão tomando, por influência dos cristãos judaizantes; aqueles que continuam apegados aos mandamentos da lei judaica, apesar de incompatíveis com nova crença.
                “Esses homens mostram grande interesse por vocês, mas a intenção deles não é boa. O que eles querem é separar vocês de mim para que vocês sintam por eles o mesmo interesse que eles sentem por vocês. É bom vocês terem um interesse sincero sempre e não somente quando estou com vocês. Meus queridos filhos, eu estou sofrendo por vocês, como uma mulher que tem dores de parto. E continuarei sofrendo até que Cristo esteja vivendo em vocês. Como eu gostaria de estar aí agora para poder falar com vocês de modo diferente! Estou muito preocupado com vocês. Vocês estavam indo tão bem! Quem convenceu vocês a deixarem de seguir a verdade? É claro que quem os convenceu não foi Deus, que os chamou”.  (Gálatas 4:17-20 e 5:7-8).

Brasília 19 de novembro de 16
José Modesto          

             

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