Ontem, 16/02/2012, o STF julgou a constitucionalidade da Lei
da Ficha Limpa e sua validade para as eleições vindouras, cujo resultado da
votação traduziu a vontade dos milhares de eleitores que, como eu, subscreveram
um abaixo-assinado para pressionar os parlamentares a aprová-la, mesmo a contra
gosto, uma vez que ela feria de morte os interesses espúrios da maioria.
É bem verdade que essa Lei seria plenamente dispensável,
caso a consciência cidadã fosse predominante entre os eleitores deste país, ao
ponto de jamais termos de engolir nossa indignação, ao vermos bandidos de
colarinho branco nos representando como se fossem pessoas de bem. Afinal, ao se
juntarem, legitimamente aos bons, pois foram eleitos, passam a ostentar uma
aura de santidade, publicamente, embora nos bastidores ajam de acordo com o caráter
que os (des) qualifica.
Mas seria mesmo uma utopia acreditar que uma geração de maus
eleitores responsáveis pela recondução ao Parlamento de políticos corruptos contumazes
se regenerasse da noite para o dia e passasse a votar pensando no quanto faz
falta às criancinhas deste país o dinheiro surrupiado por esses malfeitores
travestidos de parlamentares ou governantes.
Se, ao menos, os descendentes dessa geração, politicamente
inconsciente, fossem orientados a exercer com responsabilidade o direito de
voto, ao ponto de serem, eventualmente, uma vez só enganados, mas não duas,
restaria esperança de melhores políticos, sem que precisássemos de uma Lei
tutora.
Mas, como a nossa realidade presente não aponta para esse
ideal, saúdo o surgimento de tão benfazeja iniciativa popular que deu origem a
essa tão bem-vinda Lei cidadã, há muito esperada pelas pessoas de bem.
Finalmente foi-nos possível barrar as pretensões de milhares
de oportunistas que pleiteavam um mandato para se tornarem imunes às ações da
Justiça contra seus crimes e malversações do patrimônio publico. Doravante, o
que parecia incorrigível terá, aos poucos, mas bastante perceptível, uma nova
cara de confiabilidade, ao termos certeza absoluta de que os que nos
representam passaram pelo crivo moralizador desta auspiciosa Lei.
Zé Modesto.
Brasília, 17 de fevereiro de 2012.